O Chamado de Deus à Maturidade Espiritual

Deus chama o homem não apenas para uma experiência inicial de fé, mas para um processo contínuo de amadurecimento espiritual. A Escritura mostra que a imaturidade não é o objetivo da vida cristã. Em Hebreus 5:12–14, está escrito: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” Assim, a maturidade espiritual é evidenciada pelo discernimento e por uma vida transformada.

O principal instrumento desse crescimento é a Palavra de Deus. Hebreus 4:12 declara: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” A Palavra não apenas informa, mas transforma profundamente o interior do homem. O apóstolo Paulo reforça isso em 2 Timóteo 3:16–17: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” Portanto, é por meio da Escritura que o crente é moldado à vontade de Deus.
Nesse processo, a disciplina divina ocupa um papel essencial. Hebreus 12:6 e 11 afirma: “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho… E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” Isso mostra que, embora a dor não seja necessariamente originada em todas as situações por Deus, Ele soberanamente a utiliza para produzir crescimento, justiça e maturidade no crente.
A lógica do Reino de Deus frequentemente contraria a lógica humana. Em 1 Coríntios 1:27–29 lemos: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele.” Essa verdade se harmoniza com 2 Coríntios 12:9–10: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza… Porque, quando estou fraco, então sou forte.” Assim, a verdadeira força espiritual não está na autossuficiência, mas na dependência de Deus.
Essa dependência é indispensável. O salmista declara em Salmo 121:4: “Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel.” E Jesus afirma em João 15:5: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” A maturidade cristã não leva à independência, mas a uma consciência cada vez maior da necessidade de Deus em todas as áreas da vida.
Além disso, o cristão vive em constante realidade de combate espiritual. Efésios 6:12 ensina: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Essa batalha, porém, não deve ser entendida como uma continuidade literal de conflitos históricos, mas como uma realidade espiritual presente, que exige vigilância, fé e firmeza na Palavra.
Nesse contexto, a transformação do crente passa pela renovação da mente. Romanos 12:2 declara: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” A mudança verdadeira não ocorre por conceitos místicos, mas pela ação da Palavra de Deus moldando o pensamento e a vida.
No centro de tudo está a obra redentora de Cristo. 1 João 1:7 afirma: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” E Romanos 8:1 declara: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” O crente não vive mais debaixo de condenação, mas da graça e da justificação operadas por Cristo.
Essa nova vida exige obediência absoluta a Deus. Em Atos 5:29 está escrito: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” Isso estabelece o princípio de que nenhuma autoridade humana está acima da autoridade divina.
Ao mesmo tempo, a Escritura ensina que o crente é habitação de Deus. 1 Coríntios 6:19 afirma: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” E 2 Coríntios 6:15–16 complementa: “E que concórdia há entre Cristo e Belial?… Porque vós sois o templo do Deus vivente.” Dessa forma, entende-se que aquele que pertence verdadeiramente a Cristo não pode ser possuído por demônios, ainda que possa enfrentar tentações e opressões espirituais.
Por fim, é necessário compreender a natureza da igreja e do evangelho. Em 1 Pedro 5:2, lemos: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto.” E em 2 Coríntios 2:17: “Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus; antes, falamos de Cristo com sinceridade.” Assim, a igreja não é uma empresa, e o evangelho não é um meio de lucro ou profissão, mas a expressão da verdade de Deus para a salvação.
Portanto, a maturidade espiritual é um chamado que envolve submissão à Palavra, aceitação da disciplina divina, dependência constante de Deus, consciência da realidade espiritual, renovação da mente e uma vida centrada em Cristo. Deus não forma apenas ouvintes, mas discípulos transformados, cuja vida aponta, em tudo, para a glória e o esplendor de Cristo.
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